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Medo de engordar nas festas aumenta risco já em alta de medicamentos do Paraguai
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Medo de engordar nas festas aumenta risco já em alta de medicamentos do Paraguai

dez 15, 2025

Reclamações de pacientes em pronto-socorro incluem náuseas, vômitos, diarreia e desidratação

Por Cassia Modena / CampoGrandeNews
Efeitos colaterais do uso de canetas emagrecedoras sem procedência e sem acompanhamento médico estão levando várias pessoas a procurar prontos-socorros em Campo Grande. Como a notificação aos órgãos oficiais não é obrigatória, não há dados sobre o número de casos, mas relatos têm surgido e a preocupação aumenta ainda mais nesta época de festas, quando todo mundo quer comer sem engordar. O risco maior é a automedicação. Na meta de perder completamente a fome, muita gente exagera na dose aplicada e, para piorar, sem qualquer acompanhamento
Médico endocrinologista que atende em consultório e também no hospital da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul), na Capital, Odilon Coral reforça que os injetáveis foram desenvolvidos para o tratamento de diabetes, obesidade, além de outras doenças crônicas, progressivas e graves. Ele é contra o uso com finalidade estética para pessoas emagrecerem poucos quilos.
Ele confirma que esse perfil de paciente aparece no pronto atendimento cada vez mais desde a popularização de medicamentos como o Mounjaro, por exemplo, e o Lipoless paraguaio, apesar de proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil.
Segundo ele, os sintomas mais comuns são náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e constipação intestinal. A maioria já é esperada quando a pessoa utiliza medicamentos lícitos e com orientação, mas de forma leve.
Os pacientes com quadro agudo procuram ajuda “principalmente pelo uso inadequado e doses acima das recomendadas”, relata o médico, e podem necessitar de internação. “Todas essas medicações injetáveis possuem efeitos colaterais e na grande maioria das vezes são esses efeitos que levam o paciente a procurar atendimento hospitalar”, complementa.
Efeitos mais graves podem resultar em morte. Um dos casos fatais que repercutiram no Brasil este ano ocorreu em Guarujá (SP), com a hemorragia no estômago de uma mulher sendo associada ao uso de medicamento aplicado em clínica de estética. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Existe ainda a possibilidade de os medicamentos falsos não surtirem efeito na perda de peso por não terem os componentes necessários para agir no organismo, acrescenta o médico.
Contaminantes – Pessoas que decidem usar canetas de origem duvidosa também assumem o risco de danos à saúde ligados à contaminação e ao armazenamento inadequado, alerta o endocrinologista.
“Medicações falsas ou de origem desconhecida podem conter contaminantes, partículas indesejadas ou até mesmo não possuir a quantidade adequada da medicação em questão”, diz Odilon.
Como agem – Quando aplicadas, as canetas emagrecedoras liberam hormônios que imitam o GIP (Polipeptídeo Inibidor Gástrico) e o GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1), responsáveis por controlar o nível de açúcar no sangue e regular o metabolismo, reduzindo o esvaziamento do estômago e promovendo a sensação de saciedade.
Os princípios ativos farmacêuticos das canetas emagrecedoras são semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Elas atuam no estômago, cérebro, pâncreas e fígado.

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