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Ministério Público Federal apura uso de referências indígenas por fábrica da Coca-Cola em Campo Grande
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Ministério Público Federal apura uso de referências indígenas por fábrica da Coca-Cola em Campo Grande

jan 29, 2026

Investigação acompanha processo de certificação internacional ligada à gestão sustentável da água

Por Viviane Freitas / CapitalNews
O Ministério Público Federal abriu procedimento administrativo para acompanhar o processo de certificação internacional da unidade da Coca-Cola Femsa em Campo Grande, após indícios de uso indevido de elementos culturais ligados aos povos indígenas Kinikinau e Terena. A apuração está relacionada à tentativa da empresa de obter o selo Alliance for Water Stewardship (AWS), voltado à gestão responsável dos recursos hídricos.
A portaria que oficializa a investigação foi publicada nesta segunda-feira e aponta a necessidade de esclarecer se houve apropriação da imagem ou da identidade cultural das comunidades indígenas com finalidade institucional ou promocional. O documento é assinado pelo procurador da República Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes, que determinou a coleta de informações junto à empresa e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Em manifestação encaminhada ao MPF, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas S.A., responsável pela operação da Coca-Cola Femsa no Brasil, informou que segue os protocolos exigidos pela certificação AWS e que mantém diálogo com diferentes grupos sociais. A empresa afirmou ainda que representantes das etnias citadas foram convidados a participar de reuniões informativas sobre as atividades da fábrica e o plano de uso sustentável da água.
Apesar disso, o MPF solicitou novo esclarecimento à companhia, com prazo de dez dias, para confirmar a situação atual da certificação e se houve novos encontros com integrantes das comunidades indígenas além de uma reunião realizada em 2025. O procedimento terá duração inicial de um ano, período em que o órgão acompanhará os desdobramentos do caso.
Até o fechamento desta edição, a Coca-Cola Femsa Brasil não havia se pronunciado publicamente sobre a investigação. A certificação da planta de Campo Grande segue listada como “em andamento” no site da AWS, aliança internacional que reúne empresas, governos e organizações civis em torno de práticas sustentáveis no uso da água.

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